Infeção por Clamídia

Autor: Marta Magalhães

Última atualização: 2018/04/29

Palavras-chave: Chlamydia trachomatis; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Preservativo



Resumo


A Clamídia é uma bactéria transmitida por via sexual, tratável com antibióticos.
Muitas vezes não provoca qualquer sintoma e passa despercebida. Se não for tratada pode ter consequência graves, como infertilidade tanto no homem como na mulher, e infeções graves nos recém-nascidos.
A principal medida para a prevenção é uso de preservativo durante as relações sexuais.




O que é a Clamídia?


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A infeção por Clamídia é uma da doença transmitida por via sexual causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Ter relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infetada, por via vaginal, oral ou anal pode transmitir a doença.
Esta infeção pode atingir homens e mulheres em qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres jovens.
É a infeção bacteriana sexualmente transmissível mais comum. A Organização Mundial de Saúde estima que existam 92 milhões de novos casos em cada ano.

Sintomas


A maioria das pessoas não apresenta quaisquer sintomas, o que aumenta a facilidade de transmissão por desconhecimento. Quando existem, é habitual os sintomas serem ligeiros e começarem 1 a 2 semanas após a exposição:

  • Nas mulheres:
    • Corrimento vaginal;
    • Sangramento vaginal anormal;
    • Dor abdominal;
    • Dor durante as relações sexuais;
    • Dor ou sensação de ardência a urinar.
  • Nos homens:
    • Dor ou sensação de ardência a urinar;
    • Secreções no pénis;
    • Dor ou desconforto testicular;
    • Inchaço do escroto.


Podem ainda existir sintomas a nível do reto e canal anal (dor, secreções ou sangramento), principalmente em homens que têm relações por via anal, e infeção da conjuntiva ocular (conjuntivite).

Fatores de Risco


Diversos fatores aumentam o risco da infeção por Clamídia:

  • Idade jovem - ser sexualmente ativo antes dos 25 anos;
  • Ter um(a) novo(a) parceiro(a) sexual ou múltiplos(as) parceiros(as) nos últimos 3 meses;
  • Não usar frequentemente proteção (preservativo) durante as relações sexuais;
  • Ter história passada de infeção por clamídia ou de outra doença sexualmente transmissível.


A infeção é mais comum nas classes socioeconómicas mais desfavorecidas.

Complicações


A infeção por clamídia pode ter as seguintes consequências:

  • Maior facilidade na aquisição de outra doença sexualmente transmissível como gonorreia, HIV, entre outras;
  • Doença Inflamatória Pélvica na mulher –infeção do útero e trompas de Falópio que causa febre e dor abdominal e resulta num risco aumentado de infertilidade e gravidez ectópica;
  • Epididimite no homem – infeção do epidídimo, canal por onde ascendem os espermatozoides à saída do testículo, e que causa febre, dor e inchaço escrotal, estando associado a infertilidade;
  • Prostatite no homem – infeção da próstata que pode provocar febre, dor a urinar, dor após as relações sexuais e dor lombar;
  • Pneumonia ou infeção ocular no recém-nascido – pode ocorrer durante o parto devido ao contacto com as secreções vaginais infetadas;
  • Infertilidade – as infeções podem causar cicatrizes e obstrução das trompas de Falópio, na mulher, e dos canais espermáticos, no homem;
  • Artrite reativa – também conhecida como síndrome de Reiter. Esta doença causa dor nas articulações e inflamação dos olhos (uveíte).



Diagnóstico


Na ausência de sintomas específicos, o diagnóstico de clamídia necessita de uma análise das secreções vaginais nas mulheres ou das secreções da uretra no homem.

Tratamento


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O tratamento é feito com um antibiótico tanto nos homens como nas mulheres. Existe um tratamento disponível em toma única que permite garantir que a pessoa tomou mesmo a medicação, além de outras alternativas. O médico prescreverá a opção mais adequada a cada caso.
Deve evitar as relações sexuais nos primeiros 7 dias após o início tratamento. Geralmente, a infeção resolve em 1 a 2 semanas. Recomenda-se a realização de um teste de confirmação da cura 3 meses após o tratamento.
Os contactos sexuais mais recentes (dos últimos 60 dias) também devem ser tratados, pois a maioria das pessoas não têm sintomas quando estão infetadas.
Ter tido clamídia no passado ou ter sido tratado(a) não protege de novas infeções.

Prevenção


A melhor forma de prevenir esta infecção é não ter relações sexuais. Não sendo esta a opção, é importante:

  • Usar sempre preservativo;
  • Diminuir o número de parceiros(as) sexuais;
  • Evitar relações sexuais se o(a) parceiro(a) tiver sintomas ou sinais de que possa ter uma infeção;
  • As pessoas que apresentam fatores de risco para esta infeção podem fazer o rastreio nos serviços de saúde e o respetivo tratamento se positivas.
  • Nas grávidas também está recomendado o rastreio.



Conclusão


A infeção por clamídia é uma doença sexualmente transmissível comum que pode ser prevenida se forem adotadas as medidas necessárias, e tratada quando presente, evitando complicações potencialmente graves.

Referências Recomendadas



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