Infeção por Legionella

Autor: Paulo Santos

Última atualização: 2017/11/19

Palavras-chave: Pneumonia, Legionella, Qualidade da água



Resumo


A Legionella é uma bactéria que pode provocar uma forma particularmente grave de pneumonia. A transmissão é feita por via inalatória através de gotículas de água ou aerossóis contaminados que entram diretamente para a árvore respiratória profunda. Não há transmissão de pessoa a pessoa.
O tratamento é feito com antibióticos, muitas vezes com necessidade de internamento.
A prevenção passa pela correta limpeza e desinfeção dos depósitos de água, evitando que a bactéria se propague.




Infeção por Legionella


A Legionella é um género de bactérias, incluindo cerca de 50 espécies diferentes. Foi descrita pela primeira vez em 1976, como sendo o agente que provocou um surto de pneumonia que aconteceu numa reunião da Legião Americana em Filadélfia, nos Estados Unidos. Daí o nome.
A estirpe mais comum na Europa é a Legionella pneumophila, responsável por cerca de 90% dos casos.
Trata-se de uma forma grave de pneumonia, muitas vezes fatal, conhecida por Doença dos Legionários.
Uma forma menos grave de infeção pela mesma bactéria é a Febre de Pontiac.

Quais são os sintomas?


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Os sintomas de infeção por Legionella começam 2 a 10 dias após a exposição à bactéria e são essencialmente os de uma pneumonia:

  • Febre
  • Tosse
  • Dificuldade em respirar
  • Dores musculares
  • Dores de cabeça

Mas esta não é a principal causa de pneumonia.
É necessário haver um grau de suspeição que tem a ver com outros fatores, nomeadamente a possibilidade de ter estado exposto à bactéria, a apresentação atípica dos sintomas (antigamente até se chamava pneumonia atípica), ou apresentar situação de risco individual aumentado.
A auscultação pulmonar pelo médico e os dados da radiografia do tórax podem ajudar a estabelecer o diagnóstico. Também há a possibilidade de realizar um teste rápido na urina ou na expetoração para validar a suspeita.

Como se trata?


A infeção por Legionella é uma doença grave mas tem tratamento eficaz com antibióticos. Muitos doentes vão necessitar de internamento para tratamento.
Ainda assim, estima-se que 1 em cada 10 doentes afetados possa morrer pela infecção.

Quem está em risco?


  • Fumadores ou ex-fumadores
  • Doentes respiratórios crónicos (bronquite crónica, enfisema, entre outros)
  • Sistema imunológico deficitário (diabéticos, doentes com cancro, insuficientes renais, entre outros)
  • Doentes a fazer medicação que pode diminuir o sistema imunológico (medicamentos contra o cancro, contra doenças inflamatórias crónicas, ou os biológicos, entre outros)
  • Idade: as pessoas com idade superior a 50 anos apresentam quadros mais graves.



Como é que a Legionella se propaga?


A Legionella é uma bactéria que cresce normalmente em meio aquoso e está presente na natureza. Depois de tratada a água da rede pública não contém a bactéria. Quando a manutenção dos depósitos de água é deficiente é possível que a bactéria cresça em grande quantidade.
A água ingerida na alimentação não vai provocar doença.
Também não se transmite pessoa a pessoa. Um doente não vai infetar os contactos em nenhuma fase do desenvolvimento da doença, pelo que não são necessárias medidas de afastamento.

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A doença acontece quando a bactéria é inalada diretamente para a árvore respiratória, sob a forma de pequenas gotas de água ou aerossóis. Pode acontecer se houver uma inalação de água corrente infetada, por exemplo, em albufeiras ou piscinas, como durante um afogamento.
O vapor de água da cozinha não é passível de transmitir a infeção pois apresenta elevadas temperaturas que inviabilizam a bactéria. Mas o vapor do chuveiro, das colunas de hidromassagem, das saunas, jacuzzis e spas, das instalações termais, e as gotículas libertadas nos aspersores de rega automática dos jardins, nas fontes decorativas nas cidades, nos aparelhos de limpeza com pressão de água, ou das colunas de arrefecimento do ar nos aparelhos de ar condicionado podem. A maior parte dos aparelhos domésticos de ar condicionado funcionam por circulação de gás refrigerante (como os frigoríficos) e não têm risco.

Prevenção


A prevenção passa pela correta limpeza e desinfeção dos aparelhos e dos depósitos de água.
Em Portugal até 2013, era obrigatória a realização de auditorias à qualidade do ar a cada 2 anos em escolas, hospitais e clínicas, a cada 3 anos em edifícios de serviços, comerciais, turismo, transportes e culturais, e a cada 6 anos para os restantes casos. Mas a obrigatoriedade foi revogada na alteração legislativa de 2013 e agora basta a declaração de que os valores-limite são cumpridos.
Em termos individuais a medida mais eficaz é não fumar, sobretudo nas pessoas que apresentam um risco elevado para a doença.
Perguntar pelas análises de água nas piscinas que frequentamos, nos espaços públicos com fontes ou rega de jardins, ou nos edifícios privados ou públicos com ar condicionado, e preferir os que disponibilizem a informação é uma pressão social que condiciona uma melhoria efetiva da qualidade dos sistemas.

Conclusão


A Legionella é uma bactéria que pode provocar doença grave e morte, mesmo com tratamento adequado.
A prevenção passa por uma consciencialização ambiental de que todos somos responsáveis e pela exigência de padrões seguros de qualidade da água.

Referências recomendadas



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