Micose das Unhas (onicomicose)

Autor: João Silva

Última atualização: 2018/07/18

Palavras-chave: Onicomicose; Tricophyton rubrum; Faneras



Resumo


A onicomicose (micose das unhas) é uma infeção muito comum, especialmente nos idosos e imunodeprimidos.
Apesar de não ser perigosa para a vida, pode gerar grande incómodo, devido à distorção das unhas e desconforto que pode causar.
É a doença das unhas mais frequente. É mais comum nas unhas dos pés, mas pode afetar também as das mãos.
A automedicação não é recomendada. Recomenda-se a observação, diagnóstico e tratamento dirigido por um profissional de saúde competente. A confirmação do diagnóstico é fundamental pois pode haver confusão com vários outros problemas que afetam as unhas.
Prefere-se o tratamento oral (em comprimidos) por ser mais eficaz. Implica um tempo muito prolongado que será necessário cumprir para conseguir a cura e diminuir as recidivas.




Onicomicose – Micose das Unhas


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A onicomicose ou micose das unhas é a mais comum infeção das unhas (-onico) causada por diferentes fungos (-micose), constituindo 50%-60% das doenças que afetam as unhas. Atinge maioritariamente as unhas dos pés, mas pode afetar também as das mãos. Na maior parte das vezes, afeta a parte distal (externa) da unha, mas pode afetar toda a unha ou, mais raramente, apenas a parte proximal.
Os principais fungos são dermatófitos (em 65-90% dos casos), entre os quais o Tricophyton rubrum. Em 10% dos casos são não-dermatófitos (exemplo: Fusarium sp), podendo também ser leveduras (exemplo: Candida albicans).
É mais comum no sexo masculino e nos idosos. Afeta cerca de 1-8% da população geral europeia, 10% dos adultos (30 vezes mais que as crianças), 20% dos idosos, podendo chegar aos 90% nas pessoas com mais de 90 anos, e 1/3 dos doentes diabéticos. Estima-se que em Portugal afete pelo menos 1 milhão e meio de pessoas. A incidência está a aumentar devido ao aumento da esperança média de vida, assim como o aumento de condições imunossupressoras, inclusive a diabetes mellitus.

Sinais e sintomas


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Normalmente não dá grandes sintomas e não é uma situação que possa comprometer a vida dos doentes. A maior parte das vezes apresenta-se como um incómodo do ponto de vista estético, que pode, de qualquer forma, condicionar o bem-estar psicossocial da pessoa.
Apresenta-se com unhas descoloradas – amarelas, castanhas ou brancas –, distróficas, espessas (hiperqueratose) e/ou frágeis (onicólise).
Pode acompanhar-se de desconforto físico ou dor no local da unha. Nos idosos e doentes imunocomprometidos, há maior risco para infeções bacterianas como a celulite/erisipela, tinha do pé (vulgo “pé de atleta”), outras infeções fúngicas e condições sistémicas como sépsis (raramente).

Fatores de risco


O principal fator de risco é a idade avançada. Outros fatores está associados a maior ocorrência de onicomicose: Sexo masculino, Diabetes mellitus, Doença arterial periférica, imunossupressão, doença oncológica, utilização de calçado oclusivo frequente, história familiar, sudação excessiva, psoríase, trauma ungueal e a não utilização de calçado nos chuveiros públicos.

Diagnóstico


A onicomicose pode simular outras patologias das unhas pelo que, em caso de dúvida, pode recorrer-se a exames laboratoriais (por raspagem da unha - sendo praticamente indolor). No entanto, não é feito na maioria das vezes pois tem muitos falsos negativos (até 30%).
À observação pelo dermatoscópio (instrumento de ampliação especial para observação da pele e faneras) pode verificar-se um aspeto em “aurora boreal” característico da onicomicose ou, identificar outras patologias como a psoríase ungueal ou onicólise traumática.

Fontes de transmissão


A forma de contágio mais comum é a de contacto indireto com objetos pessoais contaminados ou com superfícies contaminadas (chão de chuveiros públicos por exemplo).O contágio por contacto direto pessoal é possível, embora sejam necessárias pequenas lesões entre a pele e a unha para que se efetive.
Pode também ocorrer autoinoculação (transmissão dos fungos de uma área da pele infetada para as unhas, por exemplo, ao coçá-la).

Prevenção


A prevenção passa fundamentalmente por adotar cuidados básicos de higiene:

  • Manter as unhas curtas e limpas
  • Utilização de chinelos em locais de banho público ou água parada
  • Evitar partilhar calçado.



Tratamento


A automedicação com produtos de venda livre é muitas vezes insuficiente e não é recomendada. Recomenda-se a observação pelo médico assistente.
O tratamento é moroso (pode demorar mais de 1 ano) e não é infalível devido à baixa irrigação sanguínea e crescimento lento da unha – especialmente no pé. Nem todos os doentes necessitam obrigatoriamente de tratamento. Algumas indicações para tratamento incluem: Decisão do doente, dor/desconforto, imunodepressão, história de celulite repetida ou diabético com fatores de risco para dermohipodermite aguda bacteriana (exemplo edema ou insuficiência venosa).
O tratamento depende do tipo de infeção, o número de unhas afetadas, a gravidade da doença e a preferência do doente. Pode consistir em tratamento oral (comprimidos), tópico (gel, verniz, pomada ou pó), ou ambos. Podem ainda ser consideradas opções “cirúrgicas” mecânicas ou químicas e ainda terapêutica com laser ou fotodinâmica. Geralmente, prefere-se a terapêutica oral por ser mais eficaz. Os tópicos aplicados sobre a unha (em verniz, solução ou pomadas) podem ser adicionados ou substituir o tratamento oral, caso haja contraindicação ou preferência do doente, até ao limite de 3 unhas afetadas. Para alivio da dor/desconforto, pode ser associado um queratolítico. Após o tratamento, a infeção fúngica pode reaparecer em até 50% dos casos.
O tratamento da tinha do pé após a resolução da onicomicose pode diminuir a taxa de recidiva.

Conclusão


A onicomicose é uma infeção muito comum que, apesar de não ser grave, pode ser bastante incomodativa. Deve ser avaliada por um profissional de saúde, que orientará o melhor tratamento.

Referências recomendadas



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